quarta-feira, 15 de abril de 2026

A Máscara que Lidera

 Eu lidero.

Mas não inteira.


Tem uma parte minha

que veste a camisa,

e outra

que engole seco.


Uso uma máscara 

não de falsidade,

mas de sobrevivência.


Ela sorri,

ela orienta,

ela cobra com educação

porque sabe

que o mínimo já falta em muitos lugares.


Eu não grito.

Não humilho.

Não piso.


Mas também…

nem sempre consigo levantar quem caiu.


E isso pesa.


Existe um conflito silencioso

entre o que eu penso

e o que eu posso.


Entre questionar

e continuar empregada.


Porque consciência

não paga boleto 

mas ausência dela

cobra caro na alma.


Me pedem mente de dona.

Mas que dono é esse

que também responde para outro?


É uma inversão estranha:

te ensinam a vestir poder

sem te dar liberdade.


E eu caminho assim…


Cobro procedimento,

alinho rota,

peço que todos andem na linha 

mesmo quando, no fundo,

nem eu sei

se essa linha faz sentido.


Mas uma coisa eu sustento:

o clima.


Porque se o sistema é duro,

eu não preciso ser.


Se a engrenagem aperta,

eu alivio onde dá.


E sigo…


Não pelo luxo 

nunca foi.

Mas pela dignidade

de uma vida um pouco menos pesada.


Ainda quero fazer mais.

Ainda penso em romper.


Mas, por enquanto,

eu existo nesse meio-termo:


Nem opressora,

nem livre.


Só consciente.


E, talvez,

isso já seja o começo

de alguma mudança.


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A Máscara que Lidera

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