quarta-feira, 15 de abril de 2026

Escala de ferro

No alto da hierarquia,

uma mensagem desce —

não como orientação,

mas como lâmina.


Pergunta jogada ao vento,

mas o vento tem endereço

sempre sopra para baixo.


Um erro pequeno,

mínimo, humano 

transformado em sentença,

em exposição,

em desrespeito disfarçado de gestão.


No outro dia,

a dúvida não era técnica,

era moral.

Caráter colocado em cheque

como se fosse item de planilha.


E eu me pergunto…


Quem fala assim

realmente esqueceu

ou escolheu esquecer?


Porque sabe ler,

sabe escrever,

sabe muito bem a diferença

entre corrigir

e humilhar.


Mas dentro dessa engrenagem,

onde cargos sobem

e humanidade desce,

há quem oprima

sem perceber

que também não é dono da máquina.


É só mais uma peça 

com um crachá mais caro.


Poderia estar do nosso lado.

Mas escolheu o eco do topo,

onde a voz pesa mais

e a escuta vale menos.


Quantas frustrações cabem

dentro de um e-mail seco?

Quantas inseguranças

se escondem atrás de um tom firme?


Será que são os números

que cobram tanto assim…

ou é o vazio

que precisa provar alguma coisa?


Porque no fim,

quem grita de cima

também responde a alguém.


E talvez…

só talvez…

repita o que nunca teve coragem

de questionar.


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