No alto da hierarquia,
uma mensagem desce —
não como orientação,
mas como lâmina.
Pergunta jogada ao vento,
mas o vento tem endereço
sempre sopra para baixo.
Um erro pequeno,
mínimo, humano
transformado em sentença,
em exposição,
em desrespeito disfarçado de gestão.
No outro dia,
a dúvida não era técnica,
era moral.
Caráter colocado em cheque
como se fosse item de planilha.
E eu me pergunto…
Quem fala assim
realmente esqueceu
ou escolheu esquecer?
Porque sabe ler,
sabe escrever,
sabe muito bem a diferença
entre corrigir
e humilhar.
Mas dentro dessa engrenagem,
onde cargos sobem
e humanidade desce,
há quem oprima
sem perceber
que também não é dono da máquina.
É só mais uma peça
com um crachá mais caro.
Poderia estar do nosso lado.
Mas escolheu o eco do topo,
onde a voz pesa mais
e a escuta vale menos.
Quantas frustrações cabem
dentro de um e-mail seco?
Quantas inseguranças
se escondem atrás de um tom firme?
Será que são os números
que cobram tanto assim…
ou é o vazio
que precisa provar alguma coisa?
Porque no fim,
quem grita de cima
também responde a alguém.
E talvez…
só talvez…
repita o que nunca teve coragem
de questionar.
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